Campeonato Brasileiro
[23/10 e 24/10] .::. Atlético-PR x Fluminense / Botafogo x Vitória / Vasco x Flamengo .::.

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domingo, 30 de maio de 2010

O SÁBIO DA BOLA, COM CARLOS PINHO

Lula de mãos dadas com presidente da África do Sul, Jacob Zuma
Foto: Dida Sampaio / AE

“Que bonito é..."
Estamos prestes a acompanhar mais um grande evento esportivo: a Copa do Mundo, na África do Sul. Algo que, por si só, será marcante. Já que estará distante dos países desenvolvidos, fato incomum nas últimas edições. Como forma de aumentar a aceitação e o envolvimento da sua população com o espetáculo máximo do futebol, as autoridades sulafricanas prometeram mundos e fundos. Um horizonte de crescimento que a escolha como sede proporcionaria ao país, assolado por graves problemas, dentre eles: a fome, as doenças e a violência. Ainda assim, com uma capacidade de alegrar-se bem familiar.

Passara-se todo o período de preparação do país sede para a competição. É, o tempo voa. E o que nós vemos? Pouca coisa. Muito galhardete, muito festejo, a carnavalesca ilusão dos estádios repletos de cores. Entretanto, nada além de maquiagem e um vestido aparentemente aceitável. Mera embalagem, em nada convincente. O desemprego é altíssimo. As greves, freqüentes. A precariedade dos transportes e a insegurança são latentes. O povo mescla a expectativa e o desapontamento. Não há mudança para aquele homem com um sorriso nos lábios, o olhar marejado e o corpo cansado de tanto lutar. Sabedor, porém, de que não pode parar jamais.

E aí, pensamos no Brasil. E nos nossos governantes, com os seus planos, projetos, objetivos, previsões e, especialmente, orçamentos ambiciosos. A eterna potência do futuro. Durante o Estado Novo de Vargas e o Regime Militar, exaltava-se o estado de exceção como forma de garantir o desenvolvimento nacional. Sempre com a visão voltada para um “amanhã”. Após as duas décadas da volta à democracia, a abstração de um porvir “ideal” persiste. Todavia, as desculpas arranjadas e definidas como “o caminho e a verdade” para se chegar lá são outras.

As fichas estão depositadas nos Jogos Olímpicos de 2016 (que serão no Rio) e, principalmente, no Mundial de 2014. Em se tratando deste, fora realizada toda uma campanha nacional e internacional. Compromissos – como os políticos costumam dizer – “firmados” para o início de obras na área de infra-estrutura logística, de transporte (aeroportos, expansão da malha metroviária, aquisição do Trem Bala, etc) e a promessa de não utilização do dinheiro do contribuinte na construção de arenas permeam o discurso político. E o discurso está afiado. Por sinal , somente o discurso. Nossos dirigentes não titubearam ao dar caráter “messiânico” ao acontecimento. Tornou-se um potencial “salvador da pátria”.

O progresso de um país não pode estar condicionado à realização ou não de um evento de um mês – independente do seu grau de importância. É um processo que demanda um longo tempo. O peixe vendido desde 2007 (ano da oficialização do Brasil como sede) satisfaz muito mais as misteriosas pretensões particulares do que o interesse público. Estamos em 2010: o que já foi feito? Quatro anos não são suficientes para se construir um país. Tampouco, consolidar uma nação.

sábado, 22 de maio de 2010

O SÁBIO DA BOLA, COM CARLOS PINHO

Foto : Arquivo da Internet


Um menino e o Bonsucesso (Carlos Alberto de Pinho Junior)

Lembro-me das tardes de sábado em que, quando menino, arrastava o meu irmão para acompanhar os jogos do Bonsucesso. Vestia a camisa e, com a alegria de um céu azul , soltava do lotação em frente ao estádio Leônidas da Silva, nome de um grande ídolo do clube. De quem, por sinal, não me cansava de falar, mesmo sem ter visto um só lance que tenha feito, pois era de uma época em que nem a minha saudosa avó sonharia ter nascido.

No caminho até o estádio, as pessoas, vendo-me trajado com o manto sagrado, não acreditavam que uma criança que tinha tantas opções – impostas, por vezes, pelos pais ou pela mídia – fosse escolher torcer pelo “Leão da Leopoldina”. Meu pai, ainda hoje, me pergunta: “Como é possível”? Nem sei se a melhor palavra seria “escolher”. Não escolhemos amar alguém ou algo. Para os cientistas, seria o resultado de reações bioquímicas. Para os poetas, é uma predestinação divina.

Dentro do eterno “Caldeirão” era uma festa. Fogos, aplausos, conversas, descontração. A marcação do surdo acompanhava o canto da torcida enquanto os ídolos da minha infância se preparavam para pisar no altar da esperança. Chegávamos à arquibancada, atrás de uma das metas, onde costumavam ficar amigos que compartilhavam, de longa data, o amor e a admiração pelo Cesso, como foi carinhosamente apelidado. Algumas daquelas pessoas, acabei conhecendo por lá. Outras, reencontrei nesse inexplicável acaso que se chama vida.

Nesses dias de criança, ri e chorei, entre gritos, canções improvisadas, elogios e xingamentos. Mas os bons momentos foram muito mais intensos. E mesmo que não fossem, estaria presente. Pois torcer de fato independe da circunstância. E o sentimento inexiste para descrições ou explicações. Ele simplesmente se vive. Desfrutando ou lamentando. Jamais sofrendo.

Quando, após muita insistência, o gol era alcançado, geralmente saído dos pés de Paty, as preocupações do cotidiano davam uma folga e todos se tornavam um gigante. As barreiras, as diferenças ou a distância construída pelo tempo desmoronavam, tal qual um castelo de areia desfeito por um vendaval. Com o final decretado e a vitória celebrada, as palmas não faziam-se de rogadas. E eu voltava à minha rotina. Porém, satisfeito. Porque, durante aqueles minutos, a felicidade era rubro anil.

sábado, 15 de maio de 2010

O SÁBIO DA BOLA, COM CARLOS PINHO

Foto : Arquivo da Internet


Temo pelo futuro . . . (Carlos Alberto de Pinho Junior)

Passada a primeira rodada do Campeonato Brasileiro e os torcedores cariocas já presenciaram dois empates em casa (de Botafogo e Flamengo) e duas derrotas fora. O meu temor evidenciado no título dessa carta não é meramente circunstancial. Baseia-se na preparação confusa das nossas equipes e no que elas podem oferecer dentro da competição nacional mais disputada no mundo da bola.

O Fluminense dispensou um dos heróis da surpreendente arrancada final de 2009, Cuca, e contratou a peso de ouro o competente Muricy Ramalho. O saldo atual de tamanho investimento é negativo: três derrotas. As duas para o Grêmio (que eliminou o tricolor carioca da Copa do Brasil) e uma para o Ceará, no Castelão, na estréia do time na “grande procissão” do futebol brasileiro, como diria Washington Rodrigues.

Muricy alega estar à espera de reforços, principalmente no setor de armação da equipe, dependente da categoria do argentino Dario Conca. Cacife, pelo menos, o patrocinador do clube possui para atender aos pedidos do treinador. No entanto, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, e saber tirar o que há de melhor do que, de fato, há no elenco é o diferencial de um grande técnico. E ele está buscando isso.

O Botafogo, incontestável campeão carioca, apagou as velas e estourou as bexigas e, ainda varrendo os confetes e serpentinas da festa do título, empatou com o Santos, no Engenhão, por 3 a 3. E digno de nota: empatou com um Santos recheado de reservas. Sem Robinho e Paulo Henrique. Empatar dentro de casa é um pecado mortal para quem almeja vôos mais altos na classificação.


A equipe titular é boa, mas carece de algumas peças de reposição, especialmente no meio campo, já que Lúcio Flávio não agrada os alvinegros há muito tempo. Carece também de recursos para trazer esses reforços pontuais por conta própria. A esperança está depositada na possível volta do Mago Cruel de General Severiano, Maicossuel. Porém, esse desejo só está sendo alimentado graças a um grupo de empresários dispostos a trazê-lo.

A nau que parece estar furada é a cruzmaltina. Que o Vasco passa por uma profunda crise financeira é pública e notória. O que é estranho nisso tudo? A falta de capacidade da sua diretoria em fechar contratos de patrocínio que realmente rendam frutos, e não somente passem a falsa ilusão de parceria trazida por uma marca estampada num uniforme. O elenco está aquém das tradições do clube, mesmo com bons valores como P. Coutinho, C. Alberto e Dodô (este que ainda não emplacou de fato).

No entanto, não destoa da maioria das demais equipes desta competição que a cada ano mostra-se mais equilibrada. Mas isso pode mudar para pior, pois a possibilidade de saída de Coutinho e Carlos Alberto é iminente e os recursos são escassos para repor à altura tais ausências. Foram anunciadas as contratações de Zé Roberto (que estava encostado na Alemanha), Nunes e Cesinha (destaques do Santo André). Entretanto, tudo dependerá da benevolência de Werder Bremen e Internazionale para a permanência do líder e do menino de ouro de São Januário.

O Flamengo é uma caixinha de surpresas. Quando você pensa que ele está morto, suspira. E quando você acha que vai, nada acontece. A equipe conseguiu, aos trancos e barrancos, a classificação para a segunda fase da Copa Libertadores. Eliminou a equipe de melhor campanha na primeira fase , o Corinthians. E aí , tentou aprovação com louvor contra a Universidade do Chile e levou “bomba”. “Deu branco” em pleno Maracanã.

Vamos ver se na próxima avaliação, fora de casa, a equipe se recupera e volta a ter bons sonhos com o título. Já no Brasileirão, o pós Copa do Mundo pode trazer muitas mudanças. Adriano e Vagner Love não estão assegurados, apesar de terem sido ignorados na lista de convocados de Dunga (particularmente, no caso do Imperador da Gávea).


Bruno e Petkovic não atravessam os seus melhores dias no assunto relação com setores do clube . O primeiro, com parte da torcida e o segundo, com parte da diretoria e do elenco. Capital, o rubro negro tem para trazer jogadores de qualidade que suprem futuras carências no time comandado por Rogério Lourenço. O término da Copa do Mundo será de muita expectativa para a nação.

Resta-nos aguardar para saber se, após a tempestade dos maus resultados e a deriva da paralisação por conta da realização da Copa do Mundo, encontraremos um porto seguro de vitórias , contratações e manutenções, ou o pesadelo de outra tempestade, reservando a agonia do rebaixamento sob o olhar melancólico das arquibancadas vazias.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

COLUNA: "O SÁBIO DA BOLA" COM CARLOS PINHO

Maracanã, templo sagrado do futebol carioca
Foto: Arquivo de Internet


"A epopéia do futebol" (Carlos Alberto de Pinho Junior)

Os portões se abrem, uma satisfação inexplicável toma os corações daquelas pessoas de forma avassaladora. Ponte ao céu, trampolim para o inferno.

Os espectadores se acomodam. O coliseu tem carne até as vigas. O centro das atenções é um pedaço de grama cercado de sonhos, desilusões, alegrias e tristezas por todos os lados. O que há de mais doce e de mais odioso.


As delícias e delírios de milhares de almas mundanas estão nos pés, na cabeça de um daqueles que, como num épico de Homero, sairá altivo, vigoroso, no entanto, fatigado, no limite da estafa, após tão selvagem batalha.

Os olhares submissos fitados no altar. Adorado, porém, imaculado, inalcançável a nós, simples mortais , que almejamos em noventa minutos uma fuga para nossas aflições.

Os minutos, violando as regras de Chronus, por vezes, são angustiantes tal qual uma eternidade. Contudo, também podem ser pacificadores como a morte e extasiantes como a paixão.

Mediar o desafio, cabe ao deus das decisões. O juiz. Dono da verdade errada e da mentira certa. Detentor do tempo. Pode se apossar do destino. É bondoso e sádico, uma dualidade típica das divindades.

O objeto de desejo é colocado entre argonautas e marujos. É chegado o momento em que o silêncio ensurdecedor dará lugar ao brado incessante.

Um braço se estende, o apito soa. E todos correm em busca de uma meta, de uma bola, numa rede.

Que vença o espetáculo!