Campeonato Brasileiro
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domingo, 18 de janeiro de 2009

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM EDSON MAURO, LOCUTOR DA RÁDIO GLOBO - (ÚLTIMA PARTE)

Edson Mauro no estúdio de gravação
Foto: Renan de Moura



Por: Renan de Moura

FC: De onde surgiu o apelido “Bom de Bola”?

EDSON MAURO: Isso foi um slogan que o Waldir Amaral me deu. Todo mundo aqui na rádio tinha um slogan. Por exemplo, o José Carlos Araújo era o “Garotinho”, o João Saldanha era “O Comentarista que o Brasil consagrou”, o Luiz Mendes era o da “Palavra Fácil”. E quando o Waldir me promoveu em 1984 como primeiro locutor ao lado do Jorge Cury (cada um fazia meio tempo de uma partida), ele (Waldir Amaral) criou o “Bom de Bola” para dar impacto em minha chegada.

FC: Como você cria seus bordões e qual foi o que te mais marcou?

EDSON: Isso aí é o dia a dia, o que nos ensina é a vida, é a atualização, é o que o povo está falando nas ruas, é a novela que virou moda, é o cantor que fez um sucesso, essas coisas todas que a gente vai “pescando”. Então, trabalho muito com música, cinema, uma série de coisas. Portanto, a sua criatividade é a sua atualização. O bordão que mais me marcou alem do “Comunicando” e outros que eu vou revezando, foi o “Bingol”. Quando eu fazia a narração dos gols eu gritava “Bingol”. Isso me marcou muito, mas logo após eu retirei, porque esse termo passou a ficar muito sujo ligado a pessoas desonestas, envolvimento com CPI, então, eu não me senti confortável em pronunciá-lo.

FC: O que você pensa sobre os jornalistas que muitas vezes escondem o time de coração com medo talvez do relacionamento com as outras torcidas?

EDSON: Hoje até que não existe mais. Antigamente havia para que o torcedor não percebesse qual a sua preferência, mas a gente sabe muito bem que ninguém é filho de chocadeira ou nasceu através de um marciano. Todo mundo tem time. Você não pode desequilibrar, distorcer, e dentro da função não podemos torcer. Eu por exemplo, sou CSA, em Maceió, e Flamengo, aqui no Rio de Janeiro.

FC: Depois de uma carreira tão brilhante você já pensou em aposentadoria?

EDSON: Não vejo como uma carreira brilhante. Acho uma carreira comum. Na verdade, tenho um salto muito baixo. Não me vejo aposentado. Tenho 58 anos de idade, tenho a carteira assinada desde os 16 anos, oficialmente sou aposentado, recebo aquele dinheiro minguado, mas não me vejo aposentado nunca, pois vendo que ainda tenho perfeitas condições físicas, técnicas e morais, trabalharei até onde der, porque além da satisfação profissional tem também o conhecimento que você pode passar para as pessoas.

FC: Quais os benefícios e malefícios que a Copa de 2014, pode trazer para nosso país?

EDSON: Malefício nenhum. Acho que uma Copa do Mundo sempre traz benefícios para qualquer cidade do mundo. Percebo que aqui no Brasil se as pessoas se conscientizarem de que isso resultará numa vinda de muitos recursos e realmente se reeducarem devemos aproveitar esse tipo de evento. Nenhum país passou por tantos problemas como a Alemanha que sofreu no pós-guerra, mas hoje se recuperou e é uma nação padrão, recebendo bem os turistas e ganhou não apenas em organização, em benefícios, obras e tudo mais, como o conceito do cidadão alemão passou a ter um caráter incrível com a Copa do Mundo. Houve essa superexposição da Alemanha, mas o país correspondeu às expectativas. Resta a nós, brasileiros, tomar a iniciativa de um senso de organização sabendo que isso trará benefícios para o Brasil.

FC: Você é a favor do modelo adotado pelos clubes a respeito da coletiva de imprensa?

EDSON: Isso foi um modelo adotado pelos clubes brasileiros. Antigamente você tinha acesso aos vestiários. Existiu um senso de organização, é muito civilizada a entrevista coletiva, aquela abordagem pessoal que acontecia foi caindo em desuso devido ao modelo vindo dos Estados Unidos e Europa e em certas ocasiões há um exagero, mas que trouxe benefícios.

FC: Atualmente qual a melhor equipe e o melhor jogador atuando no país?

EDSON: O melhor jogador do ano aqui no Brasil foi o Thiago Silva, zagueiro do Fluminense. Ele realmente é maravilhoso. Teremos a oportunidade de vê-lo no Milan, e acho que ele terá muito sucesso, pois é um cara de muita personalidade, consciente da importância que ele tem no futebol brasileiro e agora no futebol internacional. Deve expandir essa importância e acho que o Thiago Silva será consagrado futuramente como um dos melhores jogadores do planeta.

FC: Mensagem final.

EDSON: Sei lá. Mensagem é uma coisa meio estranha. Dar conselho não é o objetivo. Mas acho que a única coisa para poder encarar essa profissão é se preparar. Antes de abrir a boca, escrever alguma coisa, ou ir para frente de uma câmera, realmente se prepare, porque somente com a preparação podemos passar credibilidade e que na verdade é esse o nosso produto.


VIDEOBLOG: ÍNTEGRA DA ENTREVISTA - 1ª PARTE


2ª PARTE


3ª PARTE